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O Arrependimento

Camilo Castelo Branco (1825–1890)

RomanceContos18 min de leitura16 páginas

O começo

Em tempos da minha mocidade costumava visitar a miúdo uma boa velha, minha vizinha, que me honrava com a sua estima e amizade. Humildemente confesso que não há sociedade mais deleitosa e agradável, do que a de uma mulher que soube envelhecer. A sua conversação instrutiva e divertida, é um inesgotável tesouro de lembranças, anedotas, observações chistosas e reflexões circumspectas, é finalmente uma revista do passado.

D. Mafalda, deixem-me assim chamar-lhe, juntava à amenidade da conversa, a do caráter, que era brando e indulgente.

Quando tinha ocasião de ir passar uma noite com ela, parecia-me que as horas voavam ligeiras e que corriam mais rápidas, do que quando as gastava a distribuir [204] finezas e galanteios às mais formosas rainhas dos mais brilhantes salões. Era sempre com vivo pesar que a via apontar para o relógio, indicando-me que a hora de me retirar tinha chegado, e voltava a minha casa com o espirito mais rico, e o coração satisfeito e melhor.

Camilo Castelo Branco (autor) morreu em 1890; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1961.

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