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Caiporismo

Artur de Azevedo

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O começo

Naquele dia o Ladislau entrou em casa radiante e alegre. A sua cara-metade, não habituada a isso, perguntou-lhe se tinha visto passarinho verde.

— Não, não vi passarinho verde, mas calcula que… Ainda me parece um sonho!…

— Mas que foi, homem de Deus?…

— Tu sabes que eu sou o maior caipora em tudo quanto é jogo… Em Caxambu - lembras-te? - todos ganhavam, menos eu, e o processo era muito simples: jogavam onde eu não jogava. Bastava que eu pusesse uma fichazinha num número para que ele ficasse abandonado pelos demais pontos! Já toda a gente sabia que o diabo do número não safa nem a cacete!.

— Mas que te aconteceu? Estou morta de curiosidade! Tiraste algum prêmio na loteria?

— Oh, a loteria!… a loteria é outra!… Bem sabes que ainda não me foi dada a satisfação de comprar um bilhete e tirar, não a sorte grande, não um prêmio qualquer, mas o mesmo dinheiro! Não sei o gosto que isso tem!.

— Na realidade és muito caipora.

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