
O Mistério da Estrada de Cintra
Eça de Queirós (1845–1900)
O começo — I
Sr. redator do Diario de Noticias .
Venho pôr nas suas mãos a narração de um caso verdadeiramente extraordinário em que intervim como facultativo, pedindo-lhe que, pelo modo que entender mais adequado, publique na sua folha a substancia, pelo menos, do que vou expôr.
Os sucessos a que me refiro são tão graves, cerca-os um tal mistério, envolve-os uma tal aparência de crime que a publicidade do que se passou por mim torna-se importantissima como chave única para a desencerração de um drama que suponho terrível com quanto não conheça dele senão um só ato e ignore inteiramente quais foram as cenas precedentes e quais tenham de ser as últimas.
Há três dias que eu vinha dos subúrbios de Cintra em companhia de F…, um amigo meu, em cuja casa tinha ido passar algum tempo.
Montavamos dois cavalos que F… tem na sua quinta e que deviam ser reconduzidos a Cintra por um criado que viera na véspera para Lisboa.
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