Puelina
O começo
Por causa do Sr. Artur Leivas, desmanchou-se anteontem um casamento!
O caso, conto como o caso foi:
Na Rua de Santo Amaro (o número da casa não importa) mora a família Castanheira, composta de pai, Sr. João Castanheira, empregado público; da mãe, D. Fulgência Castanheira; e da filha, senhorita Paulina Castanheira, moça de dezoito anos, inteligente, bonita e prendada.
O Pacheco, o Pachequinho da Alfândega, durante um ano inteiro namorou Paulina, ele da rua, ela da sacada, mas ultimamente achou meios e modos de penetrar na praça, e poucos dias depois pedia solenemente a mão da moça, que lhe foi concedida.
Ficou assentado que o casamento se realizaria em março próximo, e até lá o Pachequinho visitaria a noiva todas as quintas-feiras e domingos, à noite.
Anteontem era quinta-feira. O noivo lá foi, e, ao entrar na sala, dirigiu-se à noiva e cumprimentou-a pela seguinte forma:
— Boa noite, puelina Paulina!
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