
Claridades do Sul
António Duarte Gomes Leal (1848–?)
O começo — HYMNO AO SOL
Vous prêtres! qui murmurez, vous portez ses signes sur tout votre corps: «votre tonsure» est le disque du «soleil,» votre «étole» est son zodiaque, vos «chapelets» sont l'embléme des astres et des planétes. / VOLNEY (LES RUINES) / Eu te saúdo ó Sol, belo astro amigo! / (Tão pontual há tantos centos danos) / Mais reluzente que um broquel antigo, / Mais dourado que cetros de tiranos; / Avé, heroica luz! viva e sonora, / Vestindo o mundo, enquanto aos céus erguidas, / As florestas extensas dão gemidos, / E o duro mar se chora!
Eu te saúdo, ó astro das batalhas!… / Por que através das cruas dissenções, / Douras o pó que se ergue das mortalhas. / E levantas os nossos corações! / E por isso, ainda hoje, e eternamente, / Os românticos te hão de a ti saudar, / —E os tristes sempre irão, à luz poente, / Ver-te morrer no mar!
Tu és a Voz; a Côr; as Harmonias / Accordam com as tuas claridades; / És quem benze as aldeias e as cidades, / E quem fases cantar as cotovias; / És quem inspira estranhas teorias, / És forte, são, consolador e bom! / Tem a lua silêncios e elegias; / —Mas tu a Côr e o Som !
António Duarte Gomes Leal (autor) morreu em 1921; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1992.