Livros › António Duarte Gomes Leal › A Morte do Atleta

Capa de A Morte do Atleta

A Morte do Atleta

António Duarte Gomes Leal (1848–?)

Poesia8 min de leitura7 páginas

O começo — A MORTE DO ATHLETA

Ó heróis! ó hereos! atletas estrangeiros! viajantes que andaes à busca de uma flor misteriosa e ideal, enérgicos mineiros, sublimes corações que só sonhaes damor, vós talvez morrereis da morte dos guerreiros um dia, ao pôr do sol, como este gladiador.

Vós talvez morrereis longe da pátria um dia, longe do amigo céu que vistes à nascença, longe do parreiral, da arvore sombria, longe dos laranjaes sob que se ama e pensa, sob uma rocha nua, ou numa praia fria, longe do vosso deus, longe da vossa crença.

E então erguendo as mãos, como num sonho ardente, como um vencido, e olhando o Egoismo, a Ingratidão, sentido-vos morrer, inevitavelmente, lembrando a vossa aldeia, a infância, a multidão, talvez vos confesseis, amarguradamente, que não achastes nunca, oh! nunca, um coração!

Feliz inda contudo o espirito-poeta! que neste desabar de um mundo egoísta e mole, tendo perdido o Amor, a pérola secreta, os astros dos seu céu, e um peito que o console, poder inda expirar, assim como um atleta, —aos pés do seu Ideal, voltado para o sol.

António Duarte Gomes Leal (autor) morreu em 1921; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1992.

Mais de António Duarte Gomes Leal