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A Intrusa

Júlia Lopes de Almeida (1862–1934)

Romance4 h de leitura216 páginas

O começo — I

—Que temporal!

—E um friosinho! Conhecem vocês nada mais gostoso do que ouvir-se o barulho forte da chuva quando se está agazalhado? Eu estou-me regalando!

—Sempre o mesmo egoísta! Como estás em tua casa!… mas… desalmado, lembra-te de nós! São quase horas de me ir recolhendo aos meus penates. E ali o padre Assumpção, caso não fique pelo caminho, terá também que marchar um bom pedaço a pé. Ao Telles, esse o bond leva-o até ao quarto de dormir! Nasceu impellicado.

Por essa feia noite de chuva, conversavam em casa do advogado Argemiro Claudio, no Cosme Velho, o seu grande amigo padre Assumpção, o deputado Armindo Telles e o Adolpho Caldas, homem de quarenta anos, sem profissão determinada, mas muito bem aceito nas rodas politicas e literárias, que frequentava assiduamente.

Tinham jantado tarde, fumavam agora na biblioteca de Argemiro, sentados à mesa do poker.

Menos por virtude que por cansaço, padre Assumpção não quisera tomar parte no jogo e andava pela sala sacudindo o pano da batina a cada impulso das suas largas passadas. Era alto, magro, anguloso, de uma cor pálida; e nas suas feições acentuadas, em que melhor condiria o sarcasmo, havia uma tal expressão de candura, que Adolpho Caldas costumava dizer:

Júlia Lopes de Almeida (autor) morreu em 1934; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2005.

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