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Eco da Voz Portuguesa por Terras de Santa Cruz

António Feliciano de Castilho

PoesiaHistóriaPolítica e sociedade9 min de leitura8 páginas

O começo — *II*

Rainha dos Portuguezes!…

Rainha pelos Portuguezes!…

Que Has feito dessa herança de virtudes que Teu Pai Comprou com a vida para / Ti?

Que Has feito da felicidade de Teu Povo a Ti confiada?

Que lhes Déste pelas suas esperanças?

Esse malfadado Povo não tinha mais que a Deos e a Ti.

Tu lhe Faltas: e Deos punirá nele os teus pecados.

Rainha pelos Portuguezes!…

Juraram eles Comtigo o pacto de suas venturas: e a Ti, pelo que de Ti deviam esperar, Te deram inviolabilidade: e ainda, blasfemos em suas palavras de amor por Ti, disseram que Eras—Sagrada.—

Eles obedeceram tanto; eles cumpriram tanto, e de mais, as condições desse pacto firmado a sangue de suas honrosas feridas de batalha, que a fome, somente a fome lhes pôde arrancar um brado suplicante, e aflito… e não muito alto dado… não muito pungente… para não magoar Teu coração… porque Te julgavam sua Mãi!…

A fome, somente a fome lhes inspirou uma queixa humilde.

Antonio Feliciano de Castilho (autor) morreu em 1875; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1946.

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