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Ecce Homo

Friedrich Nietzsche (?–1900)

Filosofia2 h 20 de leitura119 páginas

O começo

Tendo em conta que, em breve, terei de apresentar a humanidade com a mais dura exigência que já lhe foi feita, parece-me indispensável dizer quem sou. Afinal, é preciso saber porque não me deixei sem acreditar. Mas a desproporção entre a grandeza da minha tarefa e a minúscula de meus contemporâneos foi expressa no fato de que não fui nem ouvido nem sequer visto. Eu vivo a meu próprio crédito, talvez seja apenas um pressentimento que eu viva? Só preciso de falar com um "educado" que chega ao jardim superior no verão para me convencer de que não vivo... Nestas circunstâncias, há um dever contra o qual, basicamente, o meu hábito, ainda mais o orgulho dos meus instintos, revolta, a saber,…

- 2o.

Por exemplo, não sou um monstro de pop, nem um monstro moral, sou mesmo um contraditório à espécie de pessoa que até agora era venerada como virtuosa. Entre nós, parece-me que é o que me faz orgulho. Sou um jovem do filósofo Dionísio, prefiro ser mais um sátiro do que um santo. Mas só se lê esta letra. Talvez tenha sido possível, talvez este texto não tivesse mais sentido do que expressar esse contraste de uma maneira alegre e amigável. A última coisa que eu prometeria seria "melhorar" a humanidade. Não me levantarão novos ídolos; que os velhos aprendam o que tem de pé trêmula. Revocar ídolos (a minha palavra é "ideias") é uma das minhas artes. A realidade foi reduzida ao seu valor,…

Autor morreu em 1900; obra em domínio público no Brasil desde 1971 (Lei 9.610/98, art. 41). Esta tradução é nossa, feita do original — art. 14.

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