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As Pupilas do Snr. Reitor: Crônica da Aldeia

Júlio Dinis (1839–1871)

Romance7 h 20 de leitura388 páginas

O começo

Daniel já tinha condições físicas e morais muito diferentes. Era o avesso do irmão e por isso incapaz de tomar o mesmo rumo de vida.

Possuía uma constituição quase de mulher. Era alvo e louro, de voz efeminada, mãos estreitas e saúde vacilante.

O sangue materno girava-lhe mais abundante nas veias, do que o sangue, cheio de força e vida, ao qual José das Dor-nas e Pedro deviam aquela invejável construção.

Votar Daniel à vida dos campos seria sacrificá-lo. Apertava-se o coração do pobre pai, ao lembrar-se que os soes ar-

— 7 — «dentes de julho ou os tufões regelados de dezembro haviam -de encontrar sem abrigo aquela débil criança, que mais se dissera nascida e criada em berços almofadados e sob cortinados de cambraia, do que no leito de pinho e na grosseira enxerga aldeã.

E desde então, desde que pensou nisto, uma ideia fixa .principiou a laborar no cérebro daquele pai extremoso e a monopolizar-lhe as poucas horas que o trabalho, não absorvia.

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