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Os Fidalgos da Casa Mourisca Crônica da Aldeia

Júlio Dinis (1839–1871)

Romance11 h de leitura566 páginas

O começo — I

A tradição popular em Portugal, nos assuntos de historia pátria, não se remonta além do período da dominação árabe nas Hespanhas.

Pouco ou nada sabe o povo de celtiberos, de romanos e de wisigodos. É, porém, entre ele noção corrente que, em outros tempos, fora este país habitado por mouros, e que só à força de cutiladas e de botes de lança os expulsaram os cristãos para as terras da Mourama. Os vultos heroicos de reis e cavaleiros nossos, que se assignalaram nas lutas dessa época, ainda não desapareceram das crônicas orais, onde vivem iluminados por a mesma poética luz das xacaras e dos romances nacionais; e hoje ainda, nas danças e jogos que se celebram nos logares públicos das vilas e aldeias, por ocasião das principais solenidades do ano, apraz-se a memoria do povo de recordar os feitos daqueles tempos históricos…

Nos contos narrados em volta da lareira, onde nas longas noites de serão se reúne a família rustica, ou às rápidas horas de uma noite de estio, na soleira da porta, ao auditório atento que segue com os olhos a lua em silenciosa carreira por um céu sem estrelas, avulta uma criação extremamente simpática, a das mouras encantadas, princesas formosissimas que ficaram desses remotos tempos na península, em paços invisíveis, à espera de quem lhes venha quebrar o cativeiro, soltando a palavra magica.

Júlio Dinis (autor) morreu em 1871; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1942.

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