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Maria Clementina Barros Lapenda: Marcas do que Ficou

Marcelo Lapenda

Biografia e memórias10 min de leitura9 páginas

O começo — I

Ele, o artesão, / faz dentro dela / a sua oficina. / Ela, a tecelã, / vai fiar, / nas malhas do seu ventre, / o homem de amanhã!

Dizem que só teremos a possibilidade de ser íntimo de alguém, fazer parte de alguém, após algum tempo de convivência.

Não é de todo verdade, pois com mãe é diferente.

Antes mesmo de ela nos conhecer, ou mesmo saber que simplesmente existimos, já estamos lá, partilhando seu íntimo, conectados um ao outro.

Essa ligação é tão forte, um pacto tão sublime, que quando de entende necessário o momento da separação, o nosso nascer, é como uma ruptura, a quebra do elo de união, representado pelo corte do cordão umbilical.

E é tão forte tal afastamento que nos pomos a chorar.

A mãe, até que de felicidade, por finalmente conhecer aquela criatura que, devagarzinho, durante toda a gestação, pode contemplá-la pelo seu melhor: o seu interior.

Mas o filho, o choro é o lamento pela separação, por não possuir ele possiblidade de ser íntimo da sua mão, ser o seu íntimo.

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