Pelo Mundo Fora
Maria Amália Vaz de Carvalho (?–1921)
O começo — I
Não há de certo ninguém, por pouco imaginativo e pouco phantasista que seja, que não tenha architectado um complicadissimo e alegre sonho dando-lhe por base o prazer das viagens . Aos homens é o interesse de visitar cousas novas, de experimentar sensações mais vivas, que os atrai e chama; às mulheres é o amor do desconhecido que lhes irrita a insaciável curiosidade.
Imaginamos todos que a ventura está justamente… onde nós não estamos. E que seria fácil conquistá-la, indo em demanda dela um pouco longe, em um logar donde ela nos sorri, donde ela nos acena, cariciosa… traiçoeira.
Eu cedi também à estranha, à irresistível sugestão. Fui-me por esse mundo fora em [2] busca do pomo douro, que tantas vezes se parece com aquele fruto colhido em terras da Palestina―mimo e veludo por fora, cinzas escuras no interior.
Era bem natural que, para mim tão profundamente modelada pelo espirito da França, o primeiro objectivo fosse a terra onde a civilização franco-latina se resume em síntese deslumbradora.
Maria Amalia Vaz de Carvalho (autor) morreu em 1921; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1992.