
Alguns Homens do Meu Tempo: Impressões Literárias
Maria Amália Vaz de Carvalho (?–1921)
O começo — Alguns homens do meu tempo
Minha querida Manoela .
Para que um livro merecesse o teu nome inscrito na sua primeira pagina, seria indispensável que esse livro fosse belo na forma e sincero na intenção.
O modesto volume, que venho oferecer-te, só o segundo requisito pode ter a aspiração de realizar.
Na nossa estreita e leal amizade alguns anos, amizade em que tens posto os carinhos de uma adorada irmã, eu aprendi [VIII] a respeitar-te e a amar-te como a um desses raros tipos femininos de sincera virtudespretenciosa, de alto pensar e de sensibilidade vibrante, que alliam numa harmonia felicissima as qualidades de um grande coração com as faculdades de um levantado espirito.
Pensas e sentes; comprehendes com singular subtileza e com ampla e inefável bondade, tens a curiosidade inteligente, e a simpatia larga e fecunda, que é de todos predicados de um entendimento o mais precioso e o mais raro…
Nunca estive perto de ti que me não sentisse melhor ; nunca ouvi a tua voz, que não conhecesse de que fundo de sinceridade e de força moral ela provinha…
Maria Amalia Vaz de Carvalho (autor) morreu em 1921; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1992.