Mulheres e Crianças: Notas sobre Educação
Maria Amália Vaz de Carvalho (?–1921)
O começo — CAPITULO I
Falla-se hoje muito a respeito da dissolução doméstica, manifestada e provada constantemente por casos de divorcio, suicídios, questões miseráveis entre parentes próximos, rebeliões filiaes, etc., etc.
Surprehende a todos aqueles, que sem aprofundarem radicalmente as questões sociais, se preocupam todavia com elas um pouco mais do que o vulgo, que este mal que todos sentem e que poucos definem, que este estado inquieto e doloroso que depois de agitar a família assusta e perturba a sociedade, se haja agravado justamente na época em que o homem auxiliado por grandes e imortais pensadores, tem adquirido a mais elevada e justa noção do Bem que ainda lhe foi dado alcançar no seu caminho de séculos.
[8] A manifesta e clara contradição que hoje mais do que nunca existe entre as ideias e os factos desnorteia e desanima ainda os espíritos mais penetrantes.
Como é que o homem que tem domado a matéria a ponto de fazer dela a escrava submissa da inteligência; que forçou a grande e muda Natureza a torná-lo seu confidente e seu senhor; que arrancou ao astro e à planta o segredo imortal da vida que os anima; que penetrou―investigador implacável―nas catacumbas das mortas religiões, e que ouviu de cada uma a palavra suprema que as explica e desvenda; porque é que o homem que tem hoje a percepção lucida e completa do seu destino, não soube ainda prostrar, vencer, amordaçar o animal indomito que vive dentro dele, que o martyrisa, que o rebaixa, que o leva muitas vezes ao abismo, quando o não leva ao lodaçal? Se o bom e o belo lhe revelaram a sua larga…
Maria Amalia Vaz de Carvalho (autor) morreu em 1921; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1992.