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Para a Morte !

Júlia Lopes de Almeida (1862–1934)

Crônica e ensaio5 min de leitura5 páginas

O começo

Dizem que não há na mesma árvore duas folhas iguais e que as próprias flores, bem comparadas, divergem entre si, ou na forma, ou no colorido, ou no aroma.

É uma diferença quase imperceptível e só apreendida pela vista e o olfato argutos de um botânico estudioso e observador.

Quer isto dizer que no fundo da sua natureza misteriosa, a própria planta tem também os seus desacordos impenetráveis…

Como as folhas da mesma árvore, irmãs! somos todas dissemelhantes, e como as folhas somos levadas ou pela aragem doce que nos atira para a veludosa alfombra aos pés da própria árvore; ou pela lufada do temporal, que nos impele para a terra em torvelinho ou para as águas torrenciais!

Que culpa temos nós de ficarmos aqui ou irmos para além, se somos levadas pelo vento?

Nos tempos antigos, a mulher era calma, submissa, pacífica e retraída; mas seria tudo isso por ter mais bom senso, mais felicidade e menos ambição? Não me parece. O motivo devia ser outro; o motivo devia de estar na atmosfera que a envolvia e em que não existia nenhum elemento agitador. Não somos nós que mudamos os dias, são os dias que nos mudam a nós.

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