Allegros e Surdinas
Virgílio Várzea (?–1941)
O começo
A natureza fecunda e prodigiosa, extasiava o raciocínio com as pompas exuberantes, com a fertilização da verdura.
As flores abriam-se, como os risos alegres e vibrantes da terra.
Havia nos espaços, profundamente calmos, a expansibilidade suavíssima das coisas.
Pairava em tudo como que o amor espiritualizado.
Foi pela primavera.
A falange gloriosa dos canários, dos coleiros, dos gaturamos, dos sabiás, rasgava o horizonte, aqui e ali, de risadas apopléticas, que chocalhavam corno guizos, que tiniam, que bimbalhavam como campanários de aldeia.
Toda a floresta tomava a proporção de um deslumbramento equatorial.
As fontes, as cascatas, os ribeiros, sonoros, harmônicos, musicais, faziam coro na grande ópera da Criação.
A vitalidade, a seiva tinha erupções vulcânicas, desde os troncos mais hartos, até as mais frágeis raízes.
Cintilava, cantava o verde florido dos prados e o azul refrigerante dos céus.
Almas e almas vagavam, como silfos, corno asas, como nuvens e nuvens, pelas zonas consoladoras e luminosas do idealismo.
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