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Conto de Natal

Virgílio Várzea (?–1941)

História9 min de leitura8 páginas

O começo

Naquele ano, em Santa Catarina, dezembro andara a lembrar julho, com semanas de dias sombrios, de aguaceiros seguidos e de ventos hibernais. Mas a véspera de Natal chegara. O sol, que ainda pela manhã se conservara oculto nos densos nevoeiros da costa, se mostrava plenamente à tarde, envolvendo todo o arraial das Aranhas na luz purpurina e de ouro de um dos seus mais lindos ocasos.

As redes que tinham andado a “cercar” nesse dia alastraram cedo os varais onde as cortiças e “chumbeiros”, como estranhas camândulas que as ondas desfiam em murmúrios de bonança ou em rugidos de tormenta, sob o jugo do pescador audaz, escorriam e secavam, para os grandes “lanços” futuros, em frente aos ranchos desertos, fechados agora à fresca aragem do mar. De sorte que pelas ave-marias cada um se acolhera ao seu lar, onde a ninhada dos filhos folgava já alacremente, nas primeiras expansões venturosas da noite entre todas notável.

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