Pontos e Vírgulas
Virgílio Várzea (?–1941)
O começo
As ESTRADAS SÃO LONGAS e é curta a piedade dos homens, escreveu no — "Outro amável milagre" — contido no Feixe de Penas o primorosíssimo, o delicioso, o onipotentíssimo psicólogo Eça de Queirós.
São longas as estradas.
É curta a piedade dos homens.
Quer isto dizer que se acha na capital de Santa Catarina, o notável glosista Margarida, esse analfabeto, esse doudo da luz, arremessado nas trevas, bom velho rude e chão, que, se não é, na frase original e observada do esplêndido fantasista, Virgílio Várzea — um sofrimento que vive a rir — é um humorismo fúnebre, dentro de uma alma cristalina de poeta.
São longas as estradas.
E ele veio de muito longe, do país das lágrimas e das saudades, dos enevoamentos do luto, porque perdeu sua esposa, o mote supremo de todas as suas glosas. Vem em busca de um filho, que supôs morto também, morto, na impassibilidade da pedra, na rigidez do granito.
Vem procurá-lo, vem vê-lo ainda, embora, do fundo pesado da sua existência, alguma cousa lhe murmure aos ouvidos:
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