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Um Testamento

Júlia Lopes de Almeida (1862–1934)

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O começo

É o nome de Rotschild que aos olhos do mundo se incarna a ideia da riqueza. A lâmpada de Alam, de que cada um de nós tem na imaginação uma cópia, arranca-lhe de cada sílaba uma chispa de pedra preciosa. Ele é o dístico de um tesouro acumulado com avidez judaica através dos tempos e de que só desabam catadupas de ouro quando solicitadas pela volúpia do negócio. Ele é a glória da raça, a ventosa terrível sugando energias de hebreus e submissões de cristãos, e é o senhor do ouro que, como o mar, recebe de todas as nascentes, e de água turva com água límpida faz a mesma onda que estrondeia em espumaradas de prata.

Rotschild não é uma entidade, é um símbolo - o dinheiro. Ele faz tremer as nações, vê a seus pés os mais nobres governos e finca no mundo as suas garras formidáveis, enterrando-lhas até ao âmago, bem como o abutre enterra as suas na carne tenra de um cordeiro.

Como o frágil animal, o mundo sangra, - na agonia do proletário, do faminto, do sem vintém, para cujos olhos o capital é o roubo, e que aí estão rugindo mais alto que o balir trêmulo do cordeirinho na aflição da morte…

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