Os Maronitas
João do Rio (?–1921)
O começo
O povo maronita, dizia o papa Benedito, é como uma flor entre os espinhos. Se o pontífice notável tinha esta doce frase para pintar os homens do monte Líbano, os que lhe sucederam guardaram tão perfumada imagem, e hoje, quando se fala dos maronitas, logo se recorda a flor e os espinhos antigos. Tudo, porém, neste mundo tem o vinco fatal do destino. A frase dos papas tornou-se profética e através da vida imensa, os de Marun continuam a perfumar a crença impoluta entre os espinhos das hostilidades.
Os maronitas, gente extremamente religiosa, habitam a Síria e descendem dos Aramilas, filhos de Aram, de Sem, de Noé.
Ascendência tão digna de respeito só os preparou para um longo e pungente sofrer. Desde os tempos dos Apóstolos, dizem os Atos no versículo 22 do capítulo XV, eram cristãos, conservando a fé ortodoxa havida do príncipe dos Apóstolos no ano 38 da era de Jesus Cristo. Quando no quarto século começaram a aparecer no Oriente as heresias e as doutrinas falsas, protegidas pelos soberanos coroados de pedrarias, impostas pelas armas, e a fé e a soberania ao mesmo tempo vacilavam, S. Marun, chefe dos eremitas da Síria, saiu de sua toca de cilícios e orações e veio salvá-los.
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