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A Casa das Almas

João do Rio (?–1921)

Religião e mito11 min de leitura10 páginas

O começo

Os negros "cambindas" do Rio guardam com terror a história de um branco que lhes apareceu certa vez em pleno sertão africano. Quando o rei deu por ele, que por ali vinha calmo, com as suas barbas de sol, precipitou-se mais a tribo em atitude feroz. O branco tirou da cinta um pequeno feitiço de metal e prostrou morto, golfando sangue, o babaláo.

- Exu! Exu! ganiu a tribo, recuando de chofre.

- Quem és tu, santo que eu não conheço? perguntou trêmulo o poderoso rei.

- Sou o que pode tudo, bradou o branco. Vê.

Estendeu a mão de novo e matou outros negros.

- Só te deixarei em paz se me mostrares todos os teus feitiços.

Sua Majestade, apavorada, levou-o à tenda real e durante o dia e durante a noite, sem parar, lhe deu tudo quanto sabia.

- Perdôo-te, disse o branco. Adeus! Levo para o mistério a rainha.

Aconchegou o feitiço, que parecia egum, o deus da guerra, no seio da preferida, deixou-a cair, e partiu devagar pela estrada a fora…

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