Livros › Júlia Lopes de Almeida › Harmonias

Capa de Harmonias

Harmonias

Júlia Lopes de Almeida (1862–1934)

Crônica e ensaio5 min de leitura4 páginas

O começo

Tudo é música na natureza, até as ostras cantam!

Cada dia que passa nos traz uma surpresa magnifica. Esta, que talvez não tivesse comovido ninguém mais, fez-me cair das mãos estupefatas o Jornal do Comércio, em que ela veio fixada, como afirmação de um sábio professor, cuja palavra não pode ser posta em dúvida.

Mal haja quem fizer ouvidos surdos a uma tão bela revelação da poesia universal. Esse será de um materialismo indigno deste século, que há de ser todo cheio de sublimes divulgações. Digam embora que tudo é velho e revelho no mundo inteiro. Mentira; ali está a prova: as ostras têm voz, em que expandem as queixas da sua alma com "gritinhos agudos, seguidos de murmúrio suave mas expressivo".

É assim que diz a notícia. Ora, onde há expressão há sentimento, logo esses gelatinosos moluscos, feios e informes, tão repugnantes e tão saborosos, dão para a divina harmonia dos dias e das noites o seu contingente ignorado de soluço ou de riso!

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Júlia Lopes de Almeida