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Novelas Extraordinárias

Edgar Allan Poe (?–1849)

Contos1 h 30 de leitura75 páginas

O começo — O corvo

Uma vez, à hora lúgubre da meia-noite, eu meditava, fraco, fatigado, quase adormecido, sobre muitos volumes interessantes e valiosos de uma doutrina esquecida. De repente, ouvi um ligeiro ruido, como de alguém batendo, ao de leve, à porta do meu quarto. «É alguma visita», murmurei eu, e nada mais.

Estávamos em Dezembro, lembro-me distintamente. As achas meio queimadas desenhavam no solo o reflexo da sua agonia.

Eu desejava ardentemente a manha! Em vão pedia aos livros o esquecimento das minhas mágoas… Pensava sempre nela, na minha Leonor perdida, na mulher rara e deslumbrante que os anjos chamam ainda Leonor e que os homens não chamarão mais!

O vago sussurro dos reposteiros ondulantes penetrava-me de um terror fantástico e melancólico. Para acalmar a agitação que me assustava, levantei-me, repetindo: «É alguém que bate à porta, alguma visita tardia, que solicita a entrada do meu quarto; sim, é isso, e nada mais.» Então senti o espirito um pouco fortalecido, e sem hesitar mais tempo:

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