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A Máscara da Morte Vermelha

Edgar Allan Poe (?–1849)

Terror9 min de leitura8 páginas

O começo

A "Morte Vermelha" devastava o país havia muito tempo. Nenhuma peste anterior havia sido tão fatal ou hedionda quanto ela. A Morte Vermelha apresentava o sangue como seu avatar e sua marca - a vermelhidão e o horror do sangue. Os infectados demonstravam dores agudas, tonturas repentinas e, depois, sangramento abundante por seus poros, seguidos pela decomposição. As manchas vermelhas pelo corpo e, especialmente, no rosto da vítima, marcavam-na de tal forma que afastava a ajuda e a simpatia de seus semelhantes. E a irrupção, progresso e término da doença era um processo que não ultrapassava meia hora.

Mas o príncipe Próspero era feliz, desafiador e sagaz. Quando seus domínios começaram a despovoar-se pela Morte Vermelha, ele decidiu convocar à sua presença mil amigos, saudáveis e alegres, dentre todos cavaleiros e damas de sua corte. Com eles retirou-se para o isolamento de uma de suas abadias casteladas. Esta abadia era uma estrutura extensa e magnífica, criada de acordo com o gosto excêntrico e augusto do príncipe, cercada por um muro forte e elevado e com portões de ferro em suas entradas. Os cortesões trouxeram fornos e grandes martelos, soldando os parafusos dos portões, de modo a não deixar entrar aqueles que estivessem fora e não deixar sair aqueles que estivessem dentro. A abadia…

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