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O Juiz de Paz na Roça

Martins Pena (?–1848)

Teatro26 min de leitura23 páginas

O começo — CENA I

Sala com uma porta no fundo. No meio uma mesa, junto à qual estarão cosendo MARIA ROSA e ANINHA.

MARIA ROSA - Teu pai tarda muito.

ANINHA - Ele disse que tinha hoje muito que fazer.

MARIA ROSA - Pobre homem! Mata-se com tanto trabalho! É quase meio-dia e ainda não voltou. Desde as quatro horas da manhã que saiu; está só com uma xícara de café.

ANINHA - Meu pai quando principia um trabalho não gosta de o largar, e minha mãe sabe bem que ele tem só a Agostinho.

MARIA ROSA - É verdade. Os meias-caras agora estão tão caros! Quando havia valongo eram mais baratos.

ANINHA - Meu pai disse que quando desmanchar o mandiocal grande há-de comprar uma negrinha para mim.

MARIA ROSA - Também já me disse.

ANINHA - Minha mãe, já preparou a jacuba para meu pai?

MARIA ROSA - É verdade! De que me ia esquecendo! Vai aí fora e traz dous limões. (ANINHA sai.) Se o MANUEL JOÃO viesse e não achasse a jacuba pronta, tínhamos campanha velha. Do que me tinha esquecido! (Entra ANINHA.)

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