O Judas em Sábado de Aleluia
Martins Pena (?–1848)
O começo — CENA I
CHIQUINHA, MARICOTA e meninos.
CHIQUINHA - Meninos, não façam tanta bulha…
LULU, saindo do grupo - Mana, veja o judas como está bonito! Logo quando aparecer a Aleluia, havemos de puxá-lo para a rua.
CHIQUINHA - Está bom; vão para dentro e logo venham.
LULU, para os meninos e moleques Vamos pra dentro; logo viremos, quando aparecer a Aleluia. (Vão todos para dentro em confusão.)
CHIQUINHA, para Maricota - Maricota, ainda te não cansou essa janela?
MARICOTA, voltando a cabeça - Não é de tua conta.
CHIQUINHA - Bem o sei. Mas, olha, o meu vestido está quase pronto; e o teu, não sei quando estará.
MARICOTA - Hei-de aprontá-lo quando quiser e muito bem me parecer. Basta de seca - cose, e deixa-me.
CHIQUINHA - Fazes bem. (Aqui Maricota faz uma mesura para ai rua, como a pessoa que a cumprimenta, e continua depois a fazer acenos com o lenço.) Lá está ela no seu fadário! Que viva esta minha irmã só para namorar! É forte mania! A todos faz festa, a todos namora… E o pior é que a todos engana… até o dia em que também seja enganada.
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