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O Namorador ou a Noite de São João

Martins Pena (?–1848)

Teatro37 min de leitura33 páginas

O começo — CENA I

Ritinha com um copo com água na mão, e Clementina com um ovo.

RITINHA – Só nos falta esta adivinhação. Já plantamos o dente de alho, para vê-lo amanhã nascido; já saltamos três vezes por cima de um tição…

CLEMENTINA – E já nos escondemos detrás da porta, para ouvirmos pronunciar o nome daquele que virá a ser teu noivo.

RITINHA – Vamos à do ovo. (Clementina quebra o ovo na beira do copo e deita a clara e gema dentro da água.)

CLEMENTINA – Agora dê cá, (toma o copo) e ponhamo-lo ao sereno.

RITINHA – Para quê? Explica-me esta, que eu não sei.

CLEMENTINA – Este ovo, exposto ao sereno dentro da água, vai tomar uma forma qualquer, por milagre de S. João. Se aparecer como uma mortalha, é sinal que morremos cedo; se tomar a figura de uma cama, é prova nos havemos de casar este ano; e se mostrar debaixo da forma de véu de freira, é certo agouro que viveremos sempre solteira. (Põe o copo sobre o banco de relva.)

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