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Quem Casa, Quer Casa

Martins Pena (?–1848)

Teatro28 min de leitura25 páginas

O começo — CENA I

PAULINA e FABIANA. PAULINA junto à porta da esquerda e FABIANA no meio da sala mostram-se enfurecidas.

PAULINA, batendo o pé – Hei de mandar!…

FABIANA, no mesmo – Não há de mandar!

PAULINA, no mesmo – Hei de e hei de mandar!…

FABIANA – Não há de e não há de mandar!…

PAULINA – Eu lhe mostrarei. (Sai.)

FABIANA – Ai, que estalo! Isto assim não vai longe……. Duas senhoras a mandarem em uma casa…. é o inferno! Duas senhoras? A senhora aqui sou eu; esta casa é de meu marido, e ela deve obedecer-me, porque é minha nora. Quer também dar ordens; isso veremos…

PAULINA, aparecendo à porta – Hei de mandar e hei de mandar, tenho dito! (Sai.)

FABIANA, arrepelando-se de raiva - Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu filho, e trouxe a mulher para a minha casa. É isto constantemente. Não sabe o senhor meu filho que quem casa quer casa… Já não posso, não posso, não posso! (Batendo com o pé:) Um dia arrebento, e então veremos! (Tocam dentro rabeca.) Ai, que lá está o outro com a maldita rabeca… É o que se vê: casa-se meu filho e traz a mulher para minha casa…. É uma desavergonhada, que se não pode aturar. Casa-se minha filha, e vem seu marido da mesma sorte morar comigo… É um preguiçoso, um indolente, que para nada serve. Depois que ouviu no teatro tocar rabeca, deu-lhe a mania para aí, e leva todo o santo dia – vum, vum, vim,…

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