O Relojoeiro
Robert Louis Stevenson (?–1894)
O começo
A jarra estava em uma mesa no meio da sala. Durante quase uma semana ninguém havia passado pela porta; a empregada não era cuidadosa e há um mês a água permanecia sem ser trocada.
A raça predominante dos animálculos havia atingido grande antiguidade e estava avançada nos estudos científicos.
Sua principal fonte de alegria era a astronomia; os filósofos passavam os dias na contemplação dos corpos celestes; a sociedade se regozijava na discussão de teorias antagônicas. Duas janelas, uma aberta para o leste, outra para o sul,davam-lhes dois anos solares de diferente duração, o segundo se misturando no primeiro, o primeiro sucedendo o segundo após um intervalo de escuridão.
Muitas gerações nasciam e pereciam durante a noite; a tradição de um sol começou a se enfraquecer levando os pessimistas a perderem as esperanças de vê-lo nascer de novo; e a lua, que então se apresentava cheia, enganou alguns dos mais sábios. Não foi senão no sexto longo ano solar que surgiu um animálculo, de intelecto sem precedente, e superou as antigas teorias, legando uma polêmica herança.
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