Infelizes: Histórias Vividas
Ana de Castro Osório (1872–1935)
O começo — DEZOITO ANNOS
tia Clara, essa adorável velhinha que fez há dias cento e quatro anos, teve também os seus dezoito—e por sinal encantadores de frescura e graça.
Mal podemos crer isto, nós que a vemos hoje tão serena, tão identificada com a nossa vida, tão igual a nós pela lucidez do espirito, sempre de uma inteligência e de um interesse perfeitamente juvenil.
Eu adoro essa querida velhinha que não se envolveu nas recordações e remordimentos egoístas como numa antipática couraça eriçada despinhos.
Não! Ela recorda todo o passado, mas suavemente, sem comparações 2 desfavoráveis para nós, como os velhos impertinentes costumam!… Relembra, levemente melancólica, os tempos longínquos da mocidade, tão distante aos nossos olhos, tão vivos ainda na sua memoria.
A sua alma é um piedoso Campo Santo habitado pela saudade de todos os seus amigos, de toda a sua família mais próxima, que a um e um a foram deixando na velha casa senhorial, já em parte abandonada de grande que é!… mas o seu coração santíssimo vai florindo sempre jovem, amando com igual afeto todos os que de novo chegam à família…
Ana de Castro Osório (autor) morreu em 1935; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2006.