D. Joaquina
João do Rio (?–1921)
O começo
Aquele canto perto dos Telégrafos, às nove de uma noite de inverno… Em frente, os destroços da antiga Ucharia, embocando a rua Clapp, cheia de prédios grandes, com lanternas. Para baixo, os jardins sucessivos da praça até ao cais, sob o permanente espasmo de um estendal de lâmpadas elétricas - tantas que na poeira azul da luz os transeuntes se destacavam ao longe como vistos por um binóculo de teatro. Varrendo a praça, a sacudir árvores e rodopiar folhas secas, gargolejando pela rua da Assembléia, um vento álgido corria a sua tragédia sem causa. Era no centro da cidade. Estava ermo. Parecia ao menos ermo. E no abandono silencioso - único e seguido sintoma de vida urbana -, de instante a…
Como achava prazer naquilo o Augusto Guimarães, tão fino, de tão lúcida inteligência? Havia dias, entretanto, conseguia arrastar-me, também a mim, por esses pontos equívocos de dramaticidade misteriosa.
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