A José Estevão
Raimundo António de Bulhão Pato (1829–1912)
O começo — *ADVERTENCIA*
Escrevi estes versos para serem recitados em Aveiro, onde o grande orador abriu os olhos, e onde hoje repousa no mesmo chão em que descansa o pai, aquele honrado varão de Plutharco, que se chamava Luis Cypriano.
José Estevão está ali bem, ao pé dos que tanto amou, que ainda vivem, e ao lado de seu pai, que partilha, como ele, do profundo sono da morte.
A pomba que vem esvoaçar por entre os ciprestes, que dão sombra à sepultura, é a filha do admirável improvisador, aquela Joanninha, anjo que no berço se assustou com as tristezas da terra, e bateu azas fugindo para o seio de Deus!
Publicando estes versos, tributo humilde, mas sincero e de muita saudade, à memoria do notável gênio, aproveito a ocasião para agradecer ao primeiro poeta que hoje temos haver espontaneamente publicado, na sua sentidissima carta em resposta ao meu amigo Freitas de Oliveira, os alexandrinos que aparecem nesta breve composição, assim como as palavras de benevolência que me dirigiu.
Raimundo António de Bulhão Pato (autor) morreu em 1912; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1983.