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Capa de Paquita; Poema em XVI Cantos

Paquita; Poema em XVI Cantos

Raimundo António de Bulhão Pato (1829–1912)

Poesia18 min de leitura16 páginas

O começo — Canto 1

irgem dolhos azuis, pálida e triste, / Se esta palavra—adeus—banhada em pranto / Nalgum lance cruel já proferiste; / Se impia mão te roubou ao doce encanto / Do teu primeiro afeto para sempre,— / Virgem dolhos azuis, ouve este canto.

Hoje creio que a musa caprichosa / Me pretende levar ao sentimento; / Vou segui-la, e desfira saudosa / Os tons da minha lira ao som do vento. / O verso não é bom, mas não me ocorre / Nenhum outro melhor neste momento.

Se ao ler o meu poema palpitasse / O seio juvenil da formosura; / Se o pranto nos seus olhos borbulhasse… / Não o pranto dangustia e damargura, / Mas aquele celeste orvalho dalma, / Que provém de uma fonte de ventura!…

A propósito agora: sempre o homem / É deveras um ser indefinível! / As lagrimas que abrazam e consomem, / As que sem dó desprende a mão terrível / Da dor e do ciume, oh! como as préza / Nos olhos da mulher esse ente horrível!

Dos poetas então, Deus nos defenda! / Estes vão procurar por amor darte / Outra metade dalma que os comprenda, / E procuram em vão por toda a parte… / Podem ser imortais cá neste mundo, / Que não hão de encontrar quem os entenda!

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