
Contos
Fialho de Almeida (1857–1911)
O começo — A Camillo Castello Branco
Acabo de relêr toda a sua obra. Quanto no artista e no escritor, o talento tem de maleável, de voluntarioso e de grande—a ironia na sua expansão facetada e cortante, o estilo na elástica elegância nervosa dos seus moldes plasticos, e a observação no seu processo tenaz de análise e de critica—tudo nos seus livros se encontra, a mãos plenas, com uma opulência que deslumbra.
Não sei negar admiração aos homens do seu tamanho, nem lh’a recusarão com sinceridade e justiça os que, como eu, tiverem passado em revista os seus trinta anos de gloriosa e efflorescente atividade.
Peço-lhe que aceite a dedicatória deste livro medíocre, que pude elaborar nos ócios de uma vida, cortada de trabalhos e dissabores. Duas cousas me levam a consagrar-lh’o—o intento de amortisar uma divida de gratidão pelo que nos seus livros me foi salutar, e o dever honesto de tirar o chapéu diante do que é superior.
Fialho de Almeida (autor) morreu em 1911; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1982.