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Aves Migradoras

Fialho de Almeida (1857–1911)

RomanceContos4 h de leitura212 páginas

O começo — FIALHO D'ALMEIDA

LISBOA / LIVRARIA CLÁSSICA EDITORA / DE A. M. TEIXEIRA & C.a (FILHOS) / Praça dos Restauradores, 17 / 1922

PORTO—Imprensa Portuguesa / Rua Formosa, 116

—Mas tu és minha amiga, balbuciava a criatura querendo tomar-lhe as mãos numa suplica desolada. Devias ter dó desta fatalidade que me leva ao encontro de Ruy. Oh, tu não sabes! A ideia dele tira-me o sono, embebeda-me, convulsiona-me, vai comigo a toda a parte. Tu ao menos tiveste família, irmãos, alguém. A mim nunca ninguém me quis. Os garotos puxavam-me os cabelos, meu pai batia-me em estando embriagado. Aos dez anos puzeram-me fora, que fosse trabalhar. E andei descalça atrás dos porcos, ia aos sábados pedir esmolas às portas dos ricos. Um verão agarram-me a furtar uvas numa vinha: o vinheiro era um bruto, jogou-me um tiro; e cheia de sangue, quase morta, uns cavadores que passavam,…

Fialho de Almeida (autor) morreu em 1911; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1982.

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