
Romanceiro III: Romances Cavalherescos Antigos
João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett, Visconde de Almeida Garrett (1799–?)
O começo — A ROMEIRA
Por aqueles montes verdes Uma romeira descia; Tam honesta e formosinha Não vai outra à romaria. Sua saia leva baixa Que nas ervas lhe prendia; Seu chapelinho caído Que lindos olhos cubria! Cavalleiro vai traz dela, De má tenção que a seguia 1 ! Não a alcança, por mais que ande, Alcançá-la não podia 12 Senão junto a essa oliveira 2 Que está no adro da ermida. À sombra da árvore benta A romeira se accolhia: —‘Eu te rogo, cavaleiro, Por Deus e a Virgem Maria, Que me deixes ir honrada Para a santa romaria.’ Cavalleiro, de malvado, Nem Deus nem razão ouvia; Cego no desejo bruto, De amores a accommettia. Pegaram de braço a braço: Luta de grande porfia! 3 A romeira, por mais fraca, Emfim rendida…
João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett, Visconde de Almeida Garrett (autor) morreu em 1854; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1925.