
Dicionário de João Fernandes Lições de Língua Portuguesa pelos Processos Novos ao Alcance de Todas as Classes de Portugal e Brasil
Francisco Gomes de Amorim (1827–1891)
O começo — A QUEM LER
Por bem entendido orgulho, resolveu o autor deste livro não privar o seu nome da gratidão dos contemporâneos. Honra lhe seja!
Do seu trabalho se pode dizer sem lisonja; que reúne o utile dulce . Instrue e deleita, inspirou-lh'o um opusculo francês, de índole semelhante, intitulado: Le Carnaval du Dictionnaire .
Pretendeu o nosso autor demonstrar que também a riquíssima língua portuguesa se presta a graciosas evoluções, aos traits desprit , e ao humour dos idiomas francês e inglês. Ousará alguém dizer que ele se não saiu vitorioso da empresa? Estou que ninguém se atreve. Bons ditos, agudezas, epigramas, finas ironias, sátiras, critica de costumes, tudo aqui se encontra, mais ou menos floreado, conforme requer cada assumpto.
É possível que não falte quem faça má cara às definições simples e claras da maioria dos vocábulos; e que por essa mesma ingenuidade não as acreditem nem aceitem. O autor não se desconsola por isso. Ele sabe que quanto mais grosseiro for um erro, mais facilmente será admitido; ao passo que raros creem na verdade pura. Há pouco mais de trezentos anos ainda se supunha que as marrecas (aves semelhantes ao patos) nasciam da madeira dos mastros, dos remos e das tábuas de barcos velhos apodrecidos pelas águas; e quando Childrai asseverou que as tinha visto ao norte da Escocia pôr e chocar os ovos como os outros palmipedes, pouco faltou para que o engulissem vivo! O abade de Valmont, refutando-o…
Francisco Gomes de Amorim (autor) morreu em 1891; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1962.