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Salomé e Outros Poemas

Eugénio de Castro (?–1944)

Poesia50 min de leitura44 páginas

O começo

Que lhe poisam na boca . . .

Ei-la subindo a escadaria na luz dúbia

Que um velario tamisa; ei-la parando

Junto das jaulas, onde estão sonhando,

Como reis presos, os leões da Núbia. . .

Erguemse irados os leões, ouvindo passos,

Mas, vendo Salomé, aplacam seu furor

E, em movimentos lassos,

Dão rugidos d*amor !

Fauces escancaradas,

Da túnica os dragões parecem defendê-la. . .

No entanto, Salomé, divinamente bela,

Pelas grades estende as mãos prateadas,

Que os leões cheiram, em languidos delírios,

Julgando que são lírios . . .

A infanta vai subindo . . .

Esvelta e esguia, N*um gesto musical que espalha mil perfumes, Do favorito leão a juba acaricia. . . E os outros leões rugem damor e de ciúmes. . .

Voam ibis no céu. . . e, erguendo-se, brilhantes,

SALOMÉ

Dos lagos onde nadam flor's do Nilo,

Os repuxos cantantes

Acclamam Salomé que entra no peristylo.

Finda a lição de dança,

Solto o negro cabelo, onde cantam sequins,

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