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Sagramor: Poema

Eugénio de Castro (?–1944)

Poesia1 h 20 de leitura73 páginas

O começo

Passjando, há pouco, naquele outeiro, fiquei maravilhada com a doçura da tua frauta. Onde a encontraste ? É de certo uma frauta encantada que algum Seraphim deixou cair do céu. . .

SAGRAMOR

Estais enganada, Senhora. . . Esta frauta fil-a eu de uma cana seca.

A RAINHA

N*esse caso, se o encanto da musica provem do sopro e não do instrumento, serias capaz de vencer o próprio Marsyas, que alcançou a frauta de Minerva.

PROLOGO

Dando-lhe uma linda friuta Út crjÁtal :

Toma ! Se com uma frau[a rude fazes pasmar os mortais,

com esta fards desmaiar os anjos.

Maravilhado, Sagram or recebe aírsuta e pãe-ae a tangei -â.

Bravo! Bravo! meu amigo. És um artista incomparável!

Ah I . . . mas agora reparo . . . um artista como tu, embrulhado

num gibão tão esfarrapado !

Dando-lhe um sumptuoso manto de veludo verde, bordado a prata :

Despe o teu gibão, amigo, despe o teu gibão e embrulha-te

n'èste manto: . .

SÁGRAMQR, embru1hando-se no manto, de« pois de o ter examinado admirativamente :

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