Sagramor: Poema
Eugénio de Castro (?–1944)
O começo
Passjando, há pouco, naquele outeiro, fiquei maravilhada com a doçura da tua frauta. Onde a encontraste ? É de certo uma frauta encantada que algum Seraphim deixou cair do céu. . .
SAGRAMOR
Estais enganada, Senhora. . . Esta frauta fil-a eu de uma cana seca.
A RAINHA
N*esse caso, se o encanto da musica provem do sopro e não do instrumento, serias capaz de vencer o próprio Marsyas, que alcançou a frauta de Minerva.
PROLOGO
Dando-lhe uma linda friuta Út crjÁtal :
Toma ! Se com uma frau[a rude fazes pasmar os mortais,
com esta fards desmaiar os anjos.
Maravilhado, Sagram or recebe aírsuta e pãe-ae a tangei -â.
Bravo! Bravo! meu amigo. És um artista incomparável!
Ah I . . . mas agora reparo . . . um artista como tu, embrulhado
num gibão tão esfarrapado !
Dando-lhe um sumptuoso manto de veludo verde, bordado a prata :
Despe o teu gibão, amigo, despe o teu gibão e embrulha-te
n'èste manto: . .
SÁGRAMQR, embru1hando-se no manto, de« pois de o ter examinado admirativamente :
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