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Oração Fúnebre que nas Exéquias de Alexandre Herculano Mandadas Celebrar

António Cândido (1850–?)

Crônica e ensaio35 min de leitura31 páginas

O começo

Era justo.

!«, Se alguma povoação deste reino devia extremar-se das outras em mais fervorosos cultos à memoria do eminente reformador da nossa historia, — essa povoação era. o Porto. Aqui trabalha-se indefesamente, e ele foi a suprema glorificação do trabalho; aqui a liberdade é mais do que uma convicção profunda, é quase um fanatismo para todas as consciências, e ele adorou-a e quiz-lhe como à mais esplendente visão do seu espirito ; aqui há saudações para todas as grandezas e para todos os heroísmos, e esse homem, que a morte propellití há pouco dos nossos estremecidissimos afetos para os frios mistérios de um sepulcro, tinha mais que ninguém as grandezas do gênio e os heroísmos da virtude.

Pouco antes de o perdermos, Paris soluçava sobre o tumulo de Thiers as notas plangentes da mais intima saudade, e subpunha à sua memoria o condigno pedestal de milhões de bênçãos, endereçadas ao ilustre morto pela França, que ele salvara num milagre do seu talento, e pela humanidade, que edificara sempre com os exemplos da sua vida; ao mesmo tempo a Grécia humedecia com as suas lagrimas a sepultura de Canaris, que, exausto e desfallecido nos derradeiros assomos do seu patriotismo, baixava enfim a descansar entre as cinzas dos antigos heróis, naquela terra que tanto amava e tão dignamente servira; e logo depois caía Leverrier, o sublime astrônomo, do êxtase, em que sempre o tiveram as…

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