Longe do Céu, Perto do Verde Mar
Pedro Kilkerry (?–1917)
O começo
Oh! essas manhãs altas e quietas! / No ar, florescem as grandes borboletas, / Floresce a luz, como em veludo / E teu olhar espiritualiza tudo / Como à flor matinal do firmamento / O alvo sorriso areento –, / Perto de mim teu verde e fundo olhar / Longe do céu, perto de um verde Mar.
Ah! dobrar joelhos de ouro ao mundo! / Dar-lhe as almas das virgens religiosas / Coroadas de rosas! / E fazê-lo adorar-te! / Magnificamente amar-te / O verde olhar líquido e fundo,
Onde as minhas ruivas esperanças, / Soltas, enérgicas as tranças, / Embarcações soltas as velas / De um sol de fogo às rosas amarelas / - Antes Rainhas passeando em Alamedas, / Roupas em asas fúlgidas, de sedas – / Se vão nas águas do Infinito Mar! / E é tão modesto o teu risonho olhar!
Flor tão clara, em meu sonho, onde és incompreendid / a / Em tua carne branca, como a lua / Que em noites de verão num céu negro flutua / Oh! minha amada! Oh! minha vida! / Que loira nau vens a meu lado / Nesse ritmo sagrado! / E és a riqueza / Que empresto a toda a rica Natureza! / E és a pedreira viva, de onde arranco / Mármore antigo / Para as loucuras de meu sonho branco, / De que anda por aí tanto mendigo, / Para as que como as pérolas de um Mar / Pesquei, mas não são mais, no teu olhar!
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