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Harpa Esquisita

Pedro Kilkerry (?–1917)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Dói-te a festa feliz da verdade da vida… / Tanges da harpa, em teu sonho, almas ou cordas, cantas, / Bóiam-te as notas no ar, a asa no Azul diluída / E, assombrados, reptis – homens, não! tu levantas!

E apupilam-te a frente as mil pedras agudas / De ódios e ódios a olhar-te… E és um rei que as avista, / No halo, de Amor, que tens! Se em colar as transmudas, / Vais – um dervixe persa, o manto azul – Artista!

Inda olhar adormido abre, e é de ocre, e avermelha!… / Vem colar-te ao colar… e, oh! tua harpa esquisita / Plange…flora a zumbir, minúscula, que imita / A abelheira da Dor, em centelha e centelha.

E é a sombra…E o instrumento, a gemer, iluminado, / Como que à noite estrela um núbio corvo… E lindo / (Inda que as asas tens não no terás ao lado) / Por que os pétalos de ouro, a haste de prata, abrindo,

Um lírio de ouro se alça?… Os passos voam-te, pelas / Ribas… Oh! que ilusões da flor, que tantaliza! / Sobe a flor? Sobes tu e a alma nas pedras pisa?… / Pairas… Em frente, o mar, polvos de luz – estrelas…

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