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O Direito da Vaia

Rui Barbosa (?–1923)

Crônica e ensaio6 min de leitura5 páginas

O começo

Parece que há, no fundo inclemente e duro do caráter humano, detritos perpetuamente renováveis, que se deslocam, mas não se extinguem nunca, e, dissimulados sob as convenções sucessivas em que se traduz a ordem social, variam ao infinito nos derivativos, necessitando, porém, sempre de alguns, por onde irrompam e desafoguem na primitiva rudeza. Quando uma vez, ao impulso desse trabalho visceral, o costume rasga na tênue crosta da civilização uma dessas fisgas, tão cedo o borbotão não lhe perderá o rumo; e então, já não há nada que o coíba: nem a inocência, nem a fraqueza, nem o amor, nem a arte nas suas influências mais sedativas. Polidez, inteligência, generosidade, tudo se esvai na aluvião…

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