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Costumes Madrilenos: Notas de um Viajante

S. de Magalhães Lima (1850–?)

Política e sociedadeViagem1 h 40 de leitura92 páginas

O começo — I CARACTERES E COMPARAÇÕES

Leitor amigo, se queres possuir a chave da vida, se queres ter o segredo da existência, aprende a viajar.

A viagem tem, como todas as cousas deste mundo, a sua pequena filosofia e as suas teorias, mais ou menos complicadas, e os seus progressos mais ou menos notáveis.

Viajar não é uma variedade de sensações apenas; mas ainda mais, e principalmente, uma fonte inexgotavel de boa e salutar experiencia, um manancial perene de vividos entusiasmos por tudo quanto é belo, novo e original, e uma origem fecunda de análise, de observação e de critica, que de ordinário raro é de encontrar-se no país onde nascemos, ou na cidade onde residimos.

E assim é realmente que, se tu quiseres admirar a seriedade nos costumes, a robustez no corpo, a soberania na guerra, o metafísico na ciência, o império na família, a fidelidade nos afetos, e a superstição na religião—tu irás à Alemanha.

Se pelo contrario, tu desejares ver a frouxidão no corpo, o indifferentismo em politica, a lassidão nos costumes, a perversão nos princípios, a fraqueza na ciência, o theologismo na religião, o lirismo na vida—tu, sem mais trabalhos nem violências, ficarás em Portugal.

S. de Magalhães (Sebastião de Magalhães) Lima (autor) morreu em 1928; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1999.

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