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A Velha Messalina

Rui Barbosa (?–1923)

Crônica e ensaio6 min de leitura5 páginas

O começo

Os últimos telegramas do Norte nos não permitem guardar o silêncio, a que nos levava o desprezo pela repetição desta hipocrisia já sem solenidade, a que o enjôo público tem conferido o título proverbialmente justo de farsa eleitoral. De cinco decênios pelo menos antes do republicano data esse processo de contínua degeneração do governo representativo, em que à república tocou a última fase, mas cuja existência é quase contemporânea das primeiras instituições nacionais, e cuja paternidade toca indu­bitavelmente aos mais antigos hábitos e aos mais velhos partidos brasileiros.

Vai quase por vinte e sete anos que o ministério do Marquês de Paranaguá, ciente de existir, na Câmara dos Deputados, membros reconhecidos e presentes em número bastante para a abertura do corpo legislativo, firmava e submetia a Sua Majestade uma exposição, atribuída à pena de Araújo Viana, onde se qualificava a origem do mandato parlamentar naqueles tempos remotos com esta crueza: “Ainda não se apagaram da memória dos brasileiros as recordações das tramas e violências, que na eleição da atual Câmara dos Deputados, foram cometidas em quase todos os pontos do império. O triunfo eleitoral, calcadas embora as leis do pudor, foi o objeto, em que puseram todo o seu desvelo as influências, que, a…

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