Escolas do Povo
Rui Barbosa (?–1923)
O começo
Uma frase vulgar nos panegíricos do sistema representativo e quase tão antiga como o governo por assembleias deliberantes indica nos parlamentos a escola dos povos. A imagem não traduz nenhum pensamento de alta filosofia. Apenas registra, na sua óbvia simplicidade, o mais natural dos fatos. As altitudes morais, como as físicas, dominam a planície, estendem para ela o benefício ou a impureza das suas vertentes. Toda vez que reunirdes numa eminência um congresso de espíritos eleitos, e lhe conferirdes, com o dom de uma tribuna privilegiada, o cetro da lei sobre uma sociedade, essa instituição acabará fatalmente por ser o modelo do povo, que lhe obedece.
Poderá exercer-se para o bem, ou para o mal essa influência conforme for de seu natural benigna, ou malfazeja. Mas a honra do regímen parlamentar é que, em quase toda parte, tem sido para o bem. Considerai o desenvolvimento dessa Grã-Bretanha, cuja envergadura de asas abrange os oceanos. Seu progresso é o da inteligência, o da moralidade e o da força desses comuns, em cujo seio reside o viveiro inesgotável dos seus estadistas. E, se percorrerdes a Europa livre, podereis medir a felicidade e a grandeza das nações, que entre si a dividem, pelo valor e autoridade das suas câmaras populares. Na parte anglo-saxônia do continente americano, a única, em todo ele, onde a liberdade tem garantias e…
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