Livros › Alexandre Herculano › O Castelo de Faria

Capa de O Castelo de Faria

O Castelo de Faria

Alexandre Herculano (1810–1877)

Religião e mito8 min de leitura7 páginas

O começo

A breve distancia da vila do Barcellos, nas faldas do Franqueira, alveja ao longo um convento de Franciscanos. Aprazível é o sítio, sombreado de velhas arvores. Sente-se ali o murmurar das águas e a bafagem suave do vento, harmonia da natureza, que quebra o silencio daquela solidão, a qual, para nos servirmos de uma expressão de Fr. Bernardo de Brito, com a saudade de seus horizontes parece encaminha e chamar o espirito à contemplação das cousas celestes.

O monte que se alevanta ao pé do humilde convento, é formoso, mas áspero e severo como quase todos os montes do Minho. Da sua corôa descobre-se ao longe o mar, semelhante a mancha azul entornada na face da terra. O espectador colloeado no cimo daquela eminencia volta-se para um e outro lado, e as povoações e os rios, e os prados e as fragas, e os soutos e os pinhais apresentam-lhe o panorama variadissimo que se descobre de qualquer ponto elevado da província de Entre-Douro-e-Minho.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Alexandre Herculano