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Como Quiserem

Rui Barbosa (?–1923)

Crônica e ensaio14 min de leitura12 páginas

O começo

Engana-se o Sr. José Carlos Rodrigues: não há de ficar atrás da anonímia do Jornal.

Muito há que este perdeu a sua antiga impessoalidade. Hoje ele é, nem mais nem menos, o indivíduo, que o adquiriu, o possui, e o meneia. Não há entre um e outro mais distinção que a da tartaruga para a sua concha.

Se a tartaruga pretende que lhe respeitem o casco, não ponha mandíbulas de cobra. Se o jornalista não quer que lhe violem o nome, não ataque ultrajosamente o daqueles que para com o seu usaram de comiseração e generosidade.

Marfório é um pedaço de pedra inanimada. Debaixo do cartaz viperino, que ele ostenta no torso, o vilipendiado tem o direito de ir buscar o nome do delator. Não admitem ficções os casos de dignidade pessoal.

A minha tem por assalteador agora o Sr. José Carlos.

Ninguém me pode negar, pois, o direito de perguntar-lhe: quem é ele, para ser o juiz da minha honra; o direito de examinar-lhe as mãos, para ver se não vem delas a lama da pedrada.

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