Um Melodrama em Santo Tirso
O começo — I
Estou embirrando solenemente com o título do meu romance. Um melodrama em Santo Tirso, numa terra pacífica e bem morigerada, cujos habitantes mais notáveis pela sua respeitabilidade, leem o Flos Sanctorum , e suspiram pelo tempo dos frades, desses incansáveis moralizadores e bem-feitores da população!
Eu podia inventar um enredo terrível, e tornar editores responsáveis das peripécias mais criminosas do meu entrecho, alguns habitantes de quem eu tivesse tido razão de queixa, quando estive em Santo Tirso (porque eu estive em Santo Tirso, oh! patrícios alfacinhas) mas naquela boa terra não fui ofendido senão pelas pulgas da estalagem, e, a respeito de pulgas, nem mesmo as industriosas são próprias para personagens de melodrama.
Mas eu não quero inventar, quero apenas ser cronista da muito verídica história (chavão infalível) que passo a contar a quem tiver paciência de me ler, e declaro desde já aos Santo Tirsenses que, se os fatos, que historio, têm uma aparência melodramática, a culpa não é minha… é dos acontecimentos.
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